
Toen…Toen…Toen… Três horas da manhã! O sono restaurador me espreita de longe. Não tem coragem de se aproximar e aplacar minha mente inquieta. Pensamentos, aflições, palavras, carinhos e olhares surgem apressados, intensos, incompreensíveis, sutis, misteriosos…
Toen…Toen…Toen…Toen… Quatro horas da manhã! Viro de um lado para o outro. Cubro, descubro, suo, sinto frio… E então, com nitidez cristalina, ouço as palavras, sem sabê-las últimas. Sinto as mãos entrelaçadas, sem perceber o frio se aproximando. Ajeito a cabeça sobre o travesseiro e o corpo sob o lençol, sem notar a rigidez iminente. Inicio uma conversa, ou melhor, um monólogo ao pé do ouvido com pedidos de perdão pelas faltas de paciência, pelos momentos de irritação e pelo cansaço constante. Ring…Ring… Ring…toca o telefone como que a me avisar do inevitável. Olho em sua direção e vejo que ele abre os olhos, me olha __ que olhar profundo, cheio de indagações e medo! __ parecendo dizer adeus e suspira…
Toen…Toen…Toen…Toen…Toen… Cinco horas da manhã! Suada, confusa e exausta adormeço sem nem perceber….
*****************************************************************
Texto originalmente publicado na internet em 13.01.2009 em http://margaridasaovento.blog.terra.com.br/